Marcha contra o racismo e o capitalismo

Fórum Social Europeu – Esperados 20.000 em Malmö


Mattias Bernhardsson e Per-Åke Westerlund, Partido da Justiça Socialista Rättvisepartiet Socialisterna (CIT Suécia)

Os políticos de Malmö, Suécia, estão a alertar para o”caos” e ”distúrbios” durante o Fórum Social Europeu (FSE) ente 17 e 21 de Setembro. Os jornais estão a fazer uma lista do que “pode correr mal” durante o FSE por causa do ”hooligans” da esquerda. A preocupação dos manifestantes, contudo são sobre o rápido aprofundamento da crise na Europa, os ataques aos direitos sindicais, as políticas de imigração racistas, as ameaças climáticas e muitos outros assuntos.

Os organizadores estimam que 20.000 participantes tomarão parte da manifestação central durante o FSE, no sábado, 20 de Setembro. A operação policial é a maior de sempre no sul da Suécia. Os media e a policia focalizam os seus avisos particularmente numa Festa de Rua não oficial contra a indústria de armamento e as políticas de emigração da União Europeia. Infelizmente, organizações como a ATTAC também estão a condenar a referida Festa de Rua.

Os políticos queixam-se contra o Município de Malmö por este ter financiado o FSE com 2,5 milhões de coroas suecas, o que na verdade é uma gota de água no oceano, comparado com o que os partidos políticos capitalistas e os seus grupos de reflexão recebem do Estado sueco.

O CIT na Suécia, o Partido da Justiça Socialista (Rättvisepartiet Socialisterna) está a mobilizar para o FSE e a manifestação. Iremos realizar duas reuniões públicas, integradas no programa do FSE. Numa dessas reuniões abordaremos o tema “A ascensão da luta de classes na Europa e os novos partidos de trabalhadores” e no outro”A China em convulsão – luta de massas e desastre ambiental”. Publicamos um numero especial do nosso semanário, com 16 páginas, focado no FSE e em questões chave na Europa.

A crise económica na Europa

Não há muito tempo, a maioria dos economistas previam que a Europa e a Suécia teriam melhores perspectivas económicas que os EUA. Mas durante o ultimo mês e meio, a crise atingiu duramente a Europa. A Espanha, a Dinamarca, a Irlanda, a Grã-Bretanha – é difícil decidir que país foi mais afectado.

A queda económica é dramática. No segundo trimestre deste ano o PIB da zona Euro caiu 0.2 %, em relação ao trimestre anterior. Em comparação com o segundo trimestre do ano passado a queda foi de 0.8%. Esta é a primeira queda no PIB da zona Euro deste que o euro foi lançado, há dez anos.

São as maiores economias que mais perdem. A Alemanha, cuja economia vale 1/3 da economia da zona Euro, caiu 0.5 % em relação ao 1º trimestre, enquanto que a França e a Itália caíram 0.3 %. O crescimento da Espanha foi apenas de 0.1 % e o da Holanda foi de zero.

A bolha financeira rebentou, o que ameaça o sistema bancário e coloca sobre enorme pressão todas as aquisições de débitos financeiros. Há uma enorme escalada dos preços dos produtos alimentares e das matérias primas e enormes aumentos dos combustíveis. There are huge price hikes on food and raw materials and huge gas price increases. O consume, que conta cada vez mais no crescimento económico, está agora em contracção quer pelos aumentos dos preços quer pela contracção do crédito.

A aguda queda na procura é agora ainda mais agravada pelo crescimento do desemprego e encerramento de empresas porque os capitalistas já não conseguem encontrar mercados lucrativos.

O sector imobiliário de habitação está em crise, tal como a industria da construção civil. As licenças de construção caíram 60 % em Espanha, no ultimo ano, e 20 % em toda a União Europeia.

Neste quadro, a OCDE reviu em baixa os seus prognósticos para a zona Euro para um crescimento de 1.3 % para este ano (em Junho previa 1.7 %).

Quem deverá pagar esta crise? O abrandamento económico já está a ser usado como um argumento para mais ataques ás condições de trabalho e vida dos trabalhadores. Em Espanha, por exemplo, os patrões exigem um Mercado laboral mais “flexível”, isto é, tornar mais fácil despedir trabalhadores. Os economistas capitalistas estão também a tentar impedir que os sindicatos exijam compensação pelos aumentos do custo de vida, dizendo que isso trará mais inflação. O actual aumento recorde de preços, contudo, desenvolveu-se apesar de aumentos salariais extremamente modestos desde há muitos anos.

Os capitalistas europeus perderam a confiança. As Bolsa de Acções perderam um terço do seu valor nos últimos doze meses.

Ainda está para se saber exactamente até onde irá esta queda económica mas é provável que seja uma crise muito profunda e arrasadora. O programa neo-liberal de privatizações de desregularizações foi um desastre. Os capitalistas tentaram agora por o fardo da crise nos ombros os trabalhadores e dos pobres. A crise inicia um período tumultuoso.

Crise política europeia

A vitória do “Não” na Irlanda – o único país em que foi permitido um referendo ao novo tratado da União Europeia – diz tudo sobre a situação política na Europa. Os constantes ataques dos políticos às condições de vida dos trabalhadores foram confrontados por uma gigantesca desconfiança e oposição. A necessidade de novos partidos de trabalhadores é aguda.

A quase ausência de apoio de todos os governos ou partidos capitalistas existentes é resultado das suas políticas. A social-democracia na Alemanha, na França e na Inglaterra está numa profunda crise. Partidos de direita ganharam eleições na Itália, na França e na Grécia, para enfrentarem de imediato protestos de massas. Os velhos partidos tentam pintarem-se como “novos”, como por exemplo os Moderados direitistas suecos que se reivindicam de ser um “partido de trabalhadores” .

A tendência é de viragem à esquerda. Numa sondagem, a maioria na Grã-Bretanha, na França, na Itália, na Espanha e na Alemanha, apoia aumentos de impostos sobre a riqueza e um abaixamento de impostos para os pobres. Nos novos estados da UE, na Europa central e de leste, a preferência por uma economia de mercado não ganha a maioria. E apenas uma pequena minoria acredita que a corrupção é um problema menor do que em 1989, na altura da queda do Muro de Berlim.

A União Europeia é um projecto do grande capital. O propósito do Tratado de Lisboa e da nova Constituição Europeia, e de reforçar o papel de bloco imperialista da União Europeia. A importante vitória do “Não” no referendo da Irlanda foi baseada na resistência ao neo-liberalismo, na defesa dos direitos dos trabalhadores e na oposição à militarização da União Europeia.

A nova radicalização é notada quer no plano politico que nas lutas laborais. Isto apesar de importantes factores estarem a travar este processo. O mais importante é a falta de partidos dos trabalhadores. O colapso dos Estalinismo e a gigantesca campanha de propaganda capitalista durante o processo de globalização, afectaram a consciência das massas.

Mas a luta de massas e a experiência da crise capitalista irá mudar as consciências e criar a base para novos partidos socialistas de massas. Vários países europeus tiveram movimentos grevistas este ano. Greves salariais tiveram lugar em mais de 80 locais na Bélgica, A Holanda e a Polónia também assistiram a ondas grevistas, tal como a Alemanha no começo do ano. Os trabalhadores na Polónia e na Roménia ganharam aumentos salariais na sequência de greves.

A oposição generalizada às politicas de direita levaram a três greves gerais na Grécia no ultimo ano, uma delas a maior desde há muitos anos. Trabalhadores do sector público entraram em greve na Grã-Bretanha e Portugal. Na Itália, o regresso de Berlusconi como primeiro ministro está a causar novas mobilizações.

Novos Partidos de Trabalhadores

Estão a desenvolver-se novas alternativas políticas em muitos países. A aliança de esquerda SYRIZA, na Grécia e o Die Linke (A Esquerda ), na Alemanha, são cada uma deles a terceira força politica nas sondagens nos dois países. A iniciativa da LCR por um novo partido anti-capitalista em França está despertar muita atenção.

O Rättvisepartiet Socialisterna, e o CIT, apoiam e participam nessas novas formações. Sublinhamos a necessidade, nessas novas formações, de se orientarem através da luta , para ganharem e organizarem novas camadas de trabalhadores e jovens; para serem democraticamente organizadas de forma que diferentes alternativas socialistas e operárias possam participar.

A classe capitalista irá tentar contrariar a radicalização e a luta dos trabalhadores. Na Suécia, vemos actualmente os conservadores Moderados usarem quer concessões, quer discursos sobre a necessidade de “reformas”, com o qual tentam desviar dirigentes de lutas , ao mesmo tempo que os mesmos Moderados incitam ao nacionalismo e racismo, com uma retórica contra a imigração.

Na Itália e na França, mesmo dirigentes políticos de topo atacam o euro e a União Europeia, dizendo que é um “colete-de-forças”. Na França, no ano passado, e na Alemanha, já este ano, os governos decidiram colocar entraves às aquisições de companhias por empresas estrangeiras.

Os governos iram usar o racismo. Na campanha eleitoral, Berlusconi defendeu que a Itália devia fechar as suas fronteiras e por os imigrantes desempregados em campos de concentração. Isto foi directamente contra a comunidade cigana, já sujeita a crescente racismo

Partidos abertamente racistas tiveram grandes resultados em eleições, por exemplo, na Áustria, Bélgica, França; Roménia, Eslováquia e Suíça. Na Dinamarca, o Partido do Povo, racista, influencia o governo de direita, bem como a oposição social democrata e o Partido Socialista Popular.

O verdadeiro desafio contra a classe capitalista na Europa, contudo, vem da luta dos trabalhadores e dos movimentos de protesto de massas.

A luta laboral e a radicalização serão as bases para fundação de um movimento de classe renovado. A luta contra o capitalismo e a exploração tem de ser internacional.

Os novos partidos tem de defender as famílias trabalhadora e os mais
oprimidos, orientando-os a fazerem parte da luta de classes e participar na luta
contra o racismo. Esses partidos têm de ser democráticos, opostos à burocracia e
aos privilégios dos actuais partidos do sistema. A alternativa ao capitalismo na
União Europeia é uma Europa democrática e socialista

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