A Revolução Russa (I)

Inicíamos a publicação de um conjunto de artigos sobre um dos mais importantes eventos da humanidade. Pela primeira vez a classe operária e os restantes trabalhadores assumiram o destino colectivo nas suas mãos ao controlem o poder de Estado.

30 de anos depois da Revolução de Abril, quase 90 depois de Outubro, conhecer este acontecimento continua a ser crucial para todos os que almejam transformar o sistema corrupto e poder em que vivemos, o capitalismo, e construir o Socialismo.

Introdução

A Revolução Russa foi o maior salto em frente da história. A classe operária, apesar de minoritária, dirigiu todo o povo explorado e oprimido no esmagamento da ditadura czarista. Ao tomar o poder de Estado através dos seus Sovietes (Conselhos), os operários em armas derrubaram os latifúndios e o capitalismo, criando as primeiras fundações para uma economia estatal e planeada.
Tragicamente, a democracia operária estabelecida em Outubro de 1917 acabou por ficar isolada e foi mais tarde destruída com a ascensão da ditadura Estalinista. O caminho do genuíno socialismo foi barrado por uma nova elite burocrática.
Ainda assim, a Revolução Russa em si mesmo mantêm-se como um farol para a classe operária da África do Sul e para os operários e jovens em luta por todo o mundo. Há setenta anos atrás, as suas lições não são menos vitais para nós.
Inqaba Ya Basebenzi, Outobro de 1987
Anton Nilson

Há setenta anos Anton Nilson lutou lado a lado com Lenine, Trotsky e um sem número de outros para preservar as conquistas da Revolução de Outubro contra os exércitos do imperialismo e dos Guardas Brancos durante a Guerra Civil.
O seu compromisso político com a classe operária começou doze anos antes quando, inspirado pela Revolução Russa de 1905, juntou-se à Juventude Socialista Sueca. Em 1908 foi condenado à morte por ter explodido um barco onde fura-greves, trazidos da Inglaterra para furar as greves na indústria têxtil e nas docas, estavam a ser alojados.
Furiosos com a sentença, os operários na Suécia e no estrangeiro forçaram a sentença a ser comutada em prisão perpétua.
Em 1917, as convulsões de 1917 na Rússia reverberaram entre os operários da Suécia e no 1º de Maio, 10.000 operários manifestaram-se frente à prisão exigindo a libertação de Anton.
Ameaçaram invadir a prisão e o governo emitiu uma ordem que a ser comprida ele teria sido morto. Os operários forma convencidos a manter-se for a da prisão e Anton salvou a vida. Contudo, a manifestação precipitou a resignação do governo de direita e dentro de meses ele estava novamente em liberdade.
Revolução
Em Setembro de 1918, chegou à Rússia dominada pelo fervor da Revolução e a armar-se contra a contra-revolução. Tornou-se um piloto no recentemente formado Exército Vermelho e organizou a defesa aérea de Moscovo, tendo mais tarde assumindo o comando da força aérea na Frente do Báltico. Pelo seus actos os seus camaradas elegeram-no para receber uma medalha das mãos de Trotsky.
A escassez de fuel durante a Guerra civil fazia os voos extremamente perigosos: “Tínhamos de usar álcool de Madeira… isso criava muito fumo Negro, com chamas por todo o lado. Felizmente, o fuel era tão mau que não chegava a queimar as nossas roupas. Ainda assim era algo desconcertante estar a 3-4.000 pés de altitude com chamas à nossa volta.”
Depois da vitória na guerra civil Anton manteve-se na União Soviética até 1928 – testemunhando a ascensão da burocracia à volta de Estaline: “Estaline pegou na polícia de estado, que tinha sido criada contra a contra-revolução, e virou-a contra os socialistas” disse ele.
Em contraste, Trotsky “tentou seguir as linhas da Revolução de Outubro”.
Quando regressou à Suécia, Anton opôs-se às conversações em curso do Partido Comunista com os Nazis: “Se eles chegarem ao poder, digo, eles nãos discutirão com o PC, eles enforcar-nos-ão. “
Os Estalinistes responderam a isso, expulsando-o do Partido.
Mas, apesar dos terrores do Estalinismo e as derrotas da revolução mundial que se lhe seguiram, Anton manteve um compromisso com o Marxismo e a sua convicção na inevitabilidade da vitória da classe operária.
“A minha vida política tem sido baseada numa convicção: Outubro está correcto “.
A 11 de Novembro Anton Nilson celebra o seu 100º aniversário. Inqaba Ya Basebenzi, a revista da Tendência Marxistas dos Trabalhadores do ANC, saúda-o e ao seu papel de longa data na luta para que a classe operária mundial complete o processo iniciado em Outubro de 1917.

Saudações revolucionárias para os camaradas na África do Sul de Anton Nilson por ocasião do Septuagésimo Aniversário da Revolução Russa.

Anton Nilson enviou esta mensagem para o Inqaba

“A todos os lutadores pela Liberdade na África do Sul

“Desde a minha juventude, por todo este século e parto do anterior , as potências imperialistas dominaram a África e mantiveram os seus povos na escravidão e subdesenvolvimento. Hoje, por toda a África, milhões estão engajados num enorme luta contra o capitalismo mundial.

“Eu tenho seguido estes acontecimentos de perto desde a minha juventude, e hoje continuo a seguir a heróica luta em que estão envolvidos. A coisa mais importante é que vocês na África do Sul mantenham-se unidos na vossa luta.

“O capitalismo é culpado da vossa opressão. Em última análise, não alternativa que não seja o socialismo. A propriedade privada dos recursos da terra é o grande roubo daqueles que deles se apropriaram e que vazem de outras pessoas escravos, desapropriados, proletários.

“Em África, como em toda a parte no mundo, , a tarefa é destruir este sistema, e tornar todo o planeta sob gestão colectiva. Então, pode existir e desenvolver-se um futuro para os povos do mundo. Se avançarem na vossa luta, nós na Europa seremos inspirados pelas vossas conquistas.
“Na história da luta da classe operária apenas a Revolução de Outubro derrotou com sucesso o capitalismo e avançou através da propriedade colectiva dos povos. De 1918 a 1928, participei pessoalmente nesta revolução e é o melhor período dos meus cem anos de vida.

“Nós lutámos contra a ocupação militar pelas potências capitalistas que queriam esmagar a Revolução. A Revolução Russa de Outubro tornou-se não um episódio local mas uniu todos os povos russos psicologicamente – derrotando todas a tentativas do capitalismo de a esmagar.

“Nos primeiros dias da Revolução os jornais burgueses do mundo escreviam que os Bolcheviques, os dirigentes da Revolução, seriam um episódio de duas semanas, pouco mais. Mas este ano a Revolução celebra o sue septuagésimo aniversário, tendo a União Soviética transformado-se desde então num dos grandes países do mundo.

“A ideia da Revolução penetrou fundo no coração dos povos oprimidos e foi a fundação de uma vontade e determinação para vencer. Os Bolcheviques construíram a sua revolução como uma revolução mundial, mas foi deixada isolada para seguir o apelo de Marx: “Proletários de todo o Mundo, Uni-vos”. Eles não tiveram outro país que os seguisse, mas tiveram eles próprios abrir o caminho para uma nova Rússia, abolindo a servidão e o absolutismo czarista e levando a cabo a abolição do capitalismo no país.

“A vossa luta é da maior importante para os trabalhadores oprimidos de todo o mundo na luta internacional pelo socialismo. Daí que o apelo para a reforma o capitalismo não será suficiente – necessitam de criar as fundações de um sistema socialista de forma a conquistarem um progresso duradouro.

“Saúdo-vos a todos os bons lutadores na África do Sul. Uni-vos é liquidai o apartheid. Temos de trabalhar lado a lado na Europa, África e Ásia se quisermos conquistar os nosso objectivos.

“Viva a Revolução de Outubro que mostra o caminho!

Viva a luta da África do Sul pela Liberdade!”

Anton Nilson, 9/30/87

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