Alemanha – a luta na Telekom : Vitória para ao abrutes!

Divulgamos aos activistas uma análise à recente luta dos trabalhadores da Telekom alemã. A traição sindical é uma das ferramentas com que o capitalismo conta para impor as suas políticas. A luta entre sindicalistas ‘moderados’ e ‘realistas’, por um lado, e ‘ortodoxos’ e ‘extremistas’ por outro é a luta da classe trabalhadora para estabelecer uma coerente direcção sindical que apresente, numa perspectiva de combatividade, os verdadeiros interesses dos trabalhadores, sem concessões à “economia nacional” ou aos designados “interesses da população” isto é, à aberta conciliação de classes da qual apenas lucra o Capital.

Em Portugal o recente papel de traição aberta, levado a cabo pelo SINTAP e a UGT, correligionários da direcção da VER.DI, na luta contra o desmantelamento da Função Pública e de defesa dos Servços Públicos, nomeadamente na destruição do vínculo públicos, das carreiras e das remunerações, é apenas mais um episódio na necessidade dos trabalhadores reforçarem os seus sindicatos numa perspectiva de luta colectiva, de classe, democrática e de massas.

Dada a importância do tema e tendo em conta a necessidade de começar-mos a tirar lições que ajudem o Movimento Sindical de classe a escapar a estas armadilhas do Capitalismo, decidimos divulgar este balanço feito pela nossa camarada Ursel Beck.

Colectivo ALTERNATIVA SOCIALISTA

Vitória para ao abrutes

Derrota histórica para os trablhadores

Ursel Beck, porta voz sindical do Alternativa Socialista “Avante” SAV (CIT na Alemanha)

Começou um novo capítulo na história dos sindicatos na Alemanha. A direcção do sindicato VER.DI permitiu que a dura luta por condições de trabalho nas grandes empresas com níveis de organização sindical de 70% fosse destruída de um só golpe.

O corte salarial d e 6.5%, o alargamento da semana de trabalho em quarto horas sem pagamento adicional, a introdução do Sábado como um dia normal de trabalho, salários diferenciados e salários de pobreza para os novos empregados. Estes são os pontos centrais do novo contrato colectivo de trabalho assinado pelos dirigentes do sindicato VER.DI para a Deutsche Telekom depois de semanas de greves na empresa.

Ao aceitarem este acordo, os dirigentes sindicais aceitaram que empresa divide-se um enorme sector da empresa para uma companhia de baixos salários. Este acordo está a ser agora votado pelos membros do sindicato, mas apenas apenas é necessário 25% de votos no “Sim” para o aceitar ao mesmo tempo que é necessário 75% de votos no “Não” para permitiram as acções de greve que se iniciaram em meados de Maio que continuem.

Os empregados da Telekom já aceitaram um corte salarial de 6.5% quando o seu horário de trabalho foi reduzido em 2005. Tendo isto em conto, bem como o prolongamento da semana de trabalho sem compensação, significa um corte salarial de 11.76% , e a isto tudo junta-se o corte salarial de 25% desde 2004. Assumindo apenas a taxa ofical de inflação de 2%, isto significa uma corte nos salários reais de 30%. Os novos empregados terão os salários reduzidos em 30% nos actuais nívies, qualquer coisa entre 21,400 e 23,200 €uros por ano. Para além disso, entre 15% e 20% dos salários dependerão de objectivos ou de lucros da empresa. Isto dará à administração da Telekom um torno para apertar ainda mais os trabalhadores de forma a reduzir ainda mais os salários para níveis de 50% dos salários de 2004.

O aumento das jornadas de trabalho elimina postos de trabalho.

Alguns colegas podem esperar que as quatro horas suplementares possam reduzir a intensidade do seu trabalho para níveis toleráveis. Mas os directores da Telekom, Obermann e Sattleberger irão usar este alargamento das jornadas de trabalho para acelerar os cortes salariais. Estatisticamente quarto horas de trabalho suplementar para 50.000 trabalhadores levam à perca de 6.000 postos de trabalho.

Protecção contra os despedimentos?

A planeada redução de 32,000 postos de trabalho não é mencionada em nenhuma das declarações e comunicados do VER.DI, isto é, os dirigentes sindicais aceitam-na. Além disso, a direcção sindical está a vender a promessa de não haver despimentos até 2012 e de não haver venda da empresa até 2010 como vitórias sindicais. Mas as promessas deste tipo não valem o papel em que são escritas. A redução de postos de trabalho continuará pela forma do exercício de tal pressão sobre os trabalhadores que estes irão, ‘voluntariamente’ embora. Este acordo ajudará os administradores a fazer isso.

Não precisameos de um sindicato que nos venda

A derrota na Telekom e o enorme enfraquecimento no poder de luta em futuros conflitos na empresa é por inteira culpa da direcção da VER.DI. A criação de empreas consultoras foi aceite desde o início. Apenas 10% dos trabalhadores da Telekom foram envolvidos nas greves. Mas todoas os trabalhadores a quem não foi permitido entrar em greve terão de lidar com as consequências desta derrota. O VER.DI nada diz acerca disto. A administração irá usar estes cortes para piorar as condições de trabalho para os restantes colegas. O que se tornou uma tarefa muito mais simples. Outros ramos da Telekom como a T-Systems podem ser separadas em “Empresas de Serviço”.

A força da luta esteve presente

A greve mostrou, de uma forma rudimentar, que poder e força podem ter os sindicatos: todas as redes da empresa vieram abaixo bem como os serviços de conferencia telefónica, não puderam ser efectuadas mudanças de operadores, os danos provocados pelas tempestades não puderam ser reparados. Não puderam ser estabelecidas novas ligações e linhas telefónicas. Mais de 5.000 avarias ficaram por processar, quando os números normais são de 350. A capacidade de ser contactar call centres caiu de 70% para 15%. Mas o sindicato apenas envolveu nas greves 15,000 dos 50,000 trabalhadores afectados e recusou-se a convocaram os restantes 100.000 trabalhadores da empresa. Uma greve total na Telekom iria provocar uma rápida paralisia total em toda a economia. Em vez de prolongar as greves, a sua dimensão foi reduzida depois de cinco semana de greves para coincidir com o recomeço das negociações. Um prolongamento e alargamento da greve ira abrir a perspectiva de forçar Obermann e Companhia a vergar-se. Isto foi algo que a direcção da VER.DI decidiu, especificamente, não fazer.

É necessária oposição a direcção da ver.di

O acordo na Telekom tem de ser percebido como um sério aviso aos trabalhadores da Telekom, Delegados Sindicais combativos e Representantes dos jovens trabalhadores. A política de auto-destruição da direcção do sindicato tem de ser travada a partir da base. A construção de uma oposição interna nos sindicatos tornou-se ainda mais uma tarefa urgente – não apenas na Telekom mas em todo o VER.DI

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