África do Sul: Greve do Sector Público entra na terceira semana

Por todo o Mundo, à medida que o Imperialismo e o capitalismo global procuram destruir as conquistas dos trabalhadores, o sector público está sob ataque. Ao fazê-lo, o Capitalismo procura mercantilizar os serviços públicos lucrativos e acabar com todos os outros.

A África do Sul é mais um exemplo. E também exemplo é a respostas combativa que os trabalhadores estão a dar face à degradação do seu poder de compra. No artigo que se segue, Weizmann Hamilton, do Movimento Democracia socialista (Democratic Socialist Movement), secção do CIT na África do Sul explica uma luta que já está a forçar a referência nos jornais portugueses.
Original publicado em inglês no Sitio do CIT Online

África do Sul: Greve do Sector Público entra na terceira semana

Enorme apoio popular a esta acção coloca o governo do ANC sob pressão.

Uma greve do sector público na África do Sul entrou agora na terceira semana, com os trabalhadores determinados a manterem a pressão sobre o governo para aumentar substancialmente a sua proposta de aumentos de salários. A esmagadora maioria dos trabalhadores do secto público da África do Sul, 1 milhão de trabalhadores, inciou uma greve indeterminada de massas em luta por um aumento salarial de 12% , na sexta-feira, 1 de Junho. Com a maioria dos sindicatos filiados na COSATU (Congresso dos Sindicatos da África do Sul/Congress of South Africa Trade Unions) a não dar resposta ao apelo de se tornar esta movimento numa greve geral, não foi paralisada a indústria. Apenas o Sindicato dos Trabalhadores Municipais da África do Sul (SAMWU) avançou com uma greve de solidariedade com os seus companheiros do sector público. A decisão do Comité Central do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos (NUMSA) de apoiar a greve não pode ser levada a cabo por não ter sido noticiada nos dez dias úteis que asseguram que a greve seja “segura”, isto é, legal.

Escandalosamente direcção do Sindicato Nacional de Metalúrgicos, que é favorável ao Presidente Mbeki, disse que apesar de simpatizarem com a greve no sector público, estavam a preparar-se para as suas próprias negociações salariais. Também dizem que os seus advogados avisaram o sindicato que o Sindicato poderiam ser interditado se convocasse greve de solidariedade, uma vez que seria difícil provar uma “relação” entre os sectores que representa (metalurgia, automóvel e energia) com o sector público para justificar a greve solidária.

Apesar disso, ao mais importantes centros urbanos da África do Sul paralisaram totalmente com manifestações de trabalhadores do sector público em 43 vilas e cidades por todo o país. As associações de taxis e companhias de autocarros no Kwa Zulu Natal demonstraram o seu apoio retirando as viaturas das estradas. A greve do sector público, que envolve cerca de 800.000 trabalhadores, é, de longe, a maior greve na história da África do Sul.

Ironicamente, a histeria da comunicação social e os grosseiros exageros dos porta-vozes do governo sobre “violência” e “intimidação” à volta da greve, acabaram a contribuir para o encerramento de empresas. Apesar de ter havido alguns incidentes violentos (um director de uma escola foi chicoteado por furar a greve, num caso, e alguns exaltados forçaram trabalahdores de saúde a deixarem as instalações de Centros de Cuidados Intensivos ) forma apenas casos isolados

Violência Estatal

De facto, a violência provêm fundamentalmente das forces do Estado, que usaram granadas de atordoamento contra manifestações pacíficas em Durban e na Cidade do Cabo. Como os repórteres observaram ( em oposição dos comentadores políticos que escrevem no conforto das suas salas de redacção) as manifestações foram pacíficas, disciplinadas, fortemente participadas e bem humoradas. Reagindo à demissão de trabalhadores da saúde, um cartaz visa o Ministro da Saúde, Manto Tshabala-Msimang, acerca da sua promoção de falsos remédios para a SIDA/HIV, e que recentemente efectuou, com sucesso, um transplante do fígado, dizia, “Dr Rais do Alho, demo-lhes a sua vida com amor, agora quero-a de volta à força “.

Apesar de ontem ter sido mais um dia nacional de acção que uma greve geral, uma greve geral é inerente a esta situação. O despedimentos sumários do trabalhadores de saúde (por desafiarem uma proibição de greve em serviços essenciais) apenas fortaleceu a resolução dos sindicatos. O Sindicato Nacional da Educação, Saúde e Similares afirmou que a greve não pára até todos os trabalhadores serem readmitidos. O Sindicato da Polícia, Prisões e Direitos Humanos (Popcru) decidiu no seu congresso, no começo desta semana, que iria desafiar a leis dos serviços essenciais e juntar-se à greve, se o governo nõ der resposta à exigências dos trabalhadores. .

Alguns jornalistas está a acusar isto como uma greve política, dizendo que a direcção da COSATU está a usar os trabalhadores para servir os interesses do seu apoio a Jacob Zuma [Zuma é uma das principais personalidades da oposição no seio da ANC à direcção de Mbeki]. Essas criticas também dizem que a COSATU espera ter alguma vantagem ao ir à conferência política do ANC no final do mês, onde a política económica do governo irá estar sob severas críticas, e a conferência de sucessão, no final do ano, que decidirá quem tomará da presidência do ANC e, portanto, a Presidência do país. Contudo, numa manifestação em Joanesburg, no início desta semana, as tentativas de juntar apoio a Zuma esbarraram numa grande indiferença.

Uma greve do sector público, dirigida, como é, contra o governo, é inerentemente política. Inevitavelmente a facção favorável a Zuma no COSATU e no ANC pode esperar que esta greve promova a sua campanha contra Mbeki. Mas a acusação de uma agenda política é tão verdade como a da facção de Mbeki, como o papel de traição do NUMSA demostra. Crê-se amplamente que a maioria das organizações locais do ANC apoiam as reivindicações dos grevistas e que o Secretário Geral do ANC, Kgalema Motlanthe, e os dirigentes dindicais do COSATU estão de acordo em negociar um acordo salarial de 8%. Mas o Ministro dos Serviços Públicos e Administração está com os apoiantes do presidente, Thabo Mbeki, e ignorou, até agora, as evidências que estão à sua frente de crescente apoio aos grevistas.

Para a esmagadora maioria dos trabalhadores o conflito entre Zuma e Mbeki não é uma questão. O facto é que o “boom” (crescimento) económico da África do Sul está a entrar no seu oitavo ano e os trabalhadores não têm visto nenhum beneficio real. Todoes eles sentem o aumento da pobreza e o crescimento do desemprego, lado a lado com a riqueza ostentatória na nova elite e os fantásticos lucros e brutais salários dos executivos empresariais. É por isso que existe uma tal esmagadora maioria de apoio à greve do sector público.

O governo receia o exemplo duma vitória dos trabalhadores.

Organizações da sociedade civil, incluindo o conselho Sul Africano de Igrejas, comprometeram-se no apoio às reivindicações dos trabalhadores. Mesmo os editoriais dos jornais reconhecem que o governo, um superavit orçamental (balanço positivo) e de impostos de 11 mil milhões de Rands, pode dar resposta às reivindicações salariais dos trabalhadores. Torna-se claro que o governo, como agente do grande capital, receia que o exemplo dos aumentos salariais de 2 digitos possa passar para o sector privado. Ao mesmo tempo, não querem ser vistos a ceder à pressão dos trabalhadores.

Mas os seus argumentos que os aumentos salariais irá causar inflação foram fortemente atingidos quando foi anunciado que a inflação era de 6.3%, mesmo antes das negociações salariais estarem concluídas no sector público e antes de começarem no sector privado.

Apesar da posiçaõ de linha dura do governo contra a greve, acabou por aumentar a sua proposta salarial, apesar de pequenos aumentos, e agora apresenta uma proposta de 7.25%, que foi recomendada por #mediadores independentes”. Mas esses pequenos aumentos forma como uma tortura chinesa que enfureceram os trabalhadores. O governo podem bem ser foçado a apresentar os 8%

O Movimento Democracia Socialista (DSM – o CIT na África do Sul) visitou piquetes de greve e trabalhadores em greve na Cidade do cabo, Durban e Joanesburg. Produzimos e distribuímos dois panfletos sobre a greve e o nosso jornal, Izwi la Basebenzi, é um best-seller.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s