Equador – A população indígena levanta-se contra o Tratado de Comércio Livre patrocinado pelos USA

Posted on 27 de Março de 2006 por

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3 dias de bloqueios paralisam grandes partes do país.

Karl Debbaut, CIT, Caracas, Venezuela

O centro, o norte e as áreas Andinas do Equador estiveram paralisadas devido a um protesto contra o Tratado de Comércio Livre que o governo está actualmente a negociar com os EUA. O levantamento, convocado pela CONNAIE, a Confederação das Nacionalidades Indígenas foi extremamente efectivo. As principais estradas de 10 das 22 províncias foram bloqueadas pelos manifestantes que construíram barricadas improvisadas com troncos de árvores, terra, pedras e bidões usados.

As reivindicações da CONNAIE são o rompimento imediato das negociações entre o governo e os EUA sobre o Tratado de Comércio Livre, a nacionalização dos recursos petrolíferos, a expulsão da empresa estadunidense Petrolera Americana Occidental e a convocatória a uma assembleia constituinte.

Estas reivindicações são uma repetição das exigências das populações indígenas e dos operários da industria do petróleo numa greve geral levada a cabo no Verão de 2005. Então, o governo declarou o estado de emergência e enviou o exército para sufocar o levantamento. A greve do sector do petróleo terminou quando o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, prometeu cumprir com a obrigação do Equador de enviar petróleo para os EUA

Desta vez os protestos da população indígena estenderam-se a mais províncias e o gobernó não respondeu agora com a mesma força a pesar de alguns jornais terem notciado que três dos manifestantes foram assassinados e 16, feridos

O Ministro do Interior Equatoriano, Alfredo Castillo renunciou. É o terceiro Ministro do Interior a renunciar nos últimos 11 meses. As declarações oficiais alegam razões pessoais para a sua renúncia. Não há dúvida que a sua renúncia é uma tentativa do governo para acalmar os ânimos. O governo também convocou uma junta de emergência com os administradores das cadeias de televisão do Estado e privadas para lhes recordar que tem de se comportar com responsabilidade e não noticiar as greves, manifestações e bloqueios porque estes actos querem destabilizar a democracia

Eduardo Cholango, presidente de uma das organizações indígenas mais fortes, Ecuarunari, declarou numa entrevista á rádio de Quito que a população indígena está pronta para resistir à assinatura do Tratado de Comércio Livre até que consigam uma resposta clara do Presidente do Equador. “Estamos prontos para resistir por uma semana, duas semanas, ou tal vez um mês porque sabemos que a assinatura do Tratado de Comércio Livre significa que eles (os Imperialistas) espoliarão a nossa produção nacional

O Equador assistiu até ao momento a cerca de 10 anos de repetidos protestos e mobilizações que removeram presidentes e governos, mas que não mudaram significativamente as condições das massas. Esta última luta mostra a força potencial da população trabalhadora, mas sem a formação de um governo de operários e camponeses que acabe com a exploração capitalista não haverá uma solução fundamental para acabar com as misérias que afligem as massas equatorianas

www.worldsocialist.net Pagina web do Comité por uma Internacional dos Trabalhadores – CIT

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