Aumento de Transportes: a cima de tudo o “Sagrado Lucro”

O aumento intercalar de transportes, em média de 4%, foi anunciado pelo governo como “compensação aos operadores” devido ao aumento de petróleo.
A verdade é que o aumento dos combustíveis reflecte-se em toda a economia, e em última análise, é o consumidor que o paga, não só nos transportes, mas na electricidade, na alimentação e nos produtos essenciais, por exemplo.
Mas, quando se fala em consumidor, referimo-nos a uma entidade abstracta, difusa. A coisa vem à tona quando se estuda os consumos, como recentemente foi feito no Brasil.
Naquele país, seguramente um dos campeões no fosso entre os ricos e os pobres, foi revelado que os 6,9 milhões de brasileiros mais ricos gastam com jóias, bijutarias, sabonetes, brinquedos e jogos, mais do que os 54 milhões de brasileiros mais pobres gastam com a compra de frango.
O que nos trás de novo à “compensação pelo aumento dos combustíveis” suportada pelos consumidores.
Os consumidores ricos e os grandes grupos económicos, não só não serão “contribuintes” como poderão, muito provavelmente directamente beneficiados.
Na verdade, não consta que Belmiro de Azevedo, Pinto Balsemão ou Fernando Urlirch andem de transportes públicos, nas suas operações de transportes funcionam em esquema fechado ou podem recuperar o IVA referente as essas operações, por exemplo de alguns dos meios para não serem afectados pela medida governamental.
É assim que os que vão efectivamente compensar os operadores de transportes são os mesmos do costume: os trabalhadores, nacionais e estrangeiros, no activo, desempregados ou reformados e os seus filhos.
E a estes ninguém compensa dos referidos aumentos. Mais, os de cima e os seus agentes no governo, nas Universidades, nas TVs e jornais, na Presidência da Republica, por todo o lado, exigem-lhes moderação salarial, contenção, “razoabilidade”…
O que seria razoável é que os transportes colectivos fossem verdadeiramente encarados como um serviço público e não fonte de lucros. Pelo contrário: Sendo fonte de lucros, temos vindo a assistir à pressão das empresas para a supressão ou grave restrição dos Passes Sociais.
A nós parece do mais elementar sentido que os trabalhadores e as suas organizações se mobilizem não só contra os aumentos dos preços dos transportes, mas pelo alargamento dos Passes Sociais e mesmo pela renacionalização dos serviços de transportes públicos.

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