É preciso, é urgente um partido diferente

Recorrente em toda a manifestação sindical que se preze, o velho, estafado e inútil slogan “É preciso, um urgente uma política diferente” esbate-se na política real(ista) que a direcção do movimento operário e sindical insiste em imprimir ao movimento.

A última manifestação da CGTP em Lisboa, integrada no Dia Nacional de Luta, aprofundou um caminho que nos parece errado. Se bem que os trabalhadores não “pegaram” no slogan, a direcção da CGTP propunha como palavra de ordem uma apelo ao aumento da produção!

“Mas que mal virá ao mundo com isso?” – poderão alguns perguntar. “Não será verdade que a produtividade é baixa, que não havendo mais produção não haverá riqueza, e, portanto os salários baixarão?”

Ora, se é verdade que os porta-vozes do regime, os representantes do Capital nas Universidades, nos média e no Estado bombardeiam-nos com esses valores, alertas e ameaças, competira à direcção central dos trabalhadores o embate ideológico e a denúncia concreta do que esconde esses apelos ao “patriotismo” na “batalha da produção”.

É que, companheiros, não vivemos no mundo das ideias mas num mundo de uma lógica unilateral: a do lucro, da sua acumulação, sobre tudo e sobre todos. E no contexto do capitalismo, seja ele a sua expressão mais selvática, seja na sua feição mais social-preocupada, aumentar a produção significa intensificar a taxa de exploração dos trabalhadores e aumentar as taxas de lucros para o capital.

Dizem alguns que temos de ter um “sindicalismo moderno, aberto às novas questões da modernidade”, que a luta de classes é coisa do passado e que temos de fazer um sacrifício “colectivo” para salvar a economia e podermos aspirar, num futuro longínquo, a uma vida melhor.

E apressam-se a acusar os “privilegiados” dos trabalhadores da Administração Pública contra os “infelizes” dos trabalhadores do sector privado, os “malandros” dos desempregados que vivem à custa dos “subsídios”, os jovens “que não querem trabalhar”… tudo em nome da “Justiça Social” e tudo para rebaixar direitos ao nível mínimo enquanto que os verdadeiros privilégios, as obscenas taxas de lucros, a corrupção e o nepotismo campeia nos meandros do Estado, das empresas e das instituições.

Esta é a via da direcção do Partido Socialista, que mostra claramente a sua via de “socialismo patronal”. Os trabalhadores do PS terão, certamente, de tirar as suas conclusões.

Mas a este quadro respondem a direcção do movimento sindical e as direcções dos partidos dos trabalhadores com propostas “construtivas” demonstrando pela enésima vez que têm soluções que podem melhorar o sistema.

Os Socialistas Revolucionários não enjeitam reformas. Batemo-nos por cada reforma que signifique um melhoramento das condições de trabalho e vida dos trabalhadores e dos pobres. Mas seria criminoso da nossa parte se não disséssemos claramente que nenhuma reforma está assegurada até ao dia em que, colectivamente, as massas trabalhadores não colocarem o sistema capitalista do caixote de lixo da história.

Por mais que a CGTP, o PC e o BE se empenhem na denúncia dos podres do sistema, se são incapazes de formular um programa independente dos trabalhadores para superar a crise económica e social e o sistema que a produz, o sistema capitalista, estarão a desarmar a consciência colectiva de que isto tem de mudar, de que há uma alternativa à ditadura do lucro que será expressa pela acção consciente de milhões de trabalhadores e jovens num sistema verdadeiramente democrático e socialista.

Seguramente, palavras de ordem tipo “batalha da produção” fazem-nos crer que afinal o que “é preciso, é urgente é um partido diferente”

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