O caminho a seguir para o anti-capitalismo

Este livro faz a defesa das ideias do socialismo. Por é que tu e outros leitores interessam-se por um livro destes? Por é que um número crescente da pessoa se consideram socialistas?

Não é claramente porque ao socialismo é dada ampla publicidade. Nenhum dos principais partidos políticos é socialista, o socialismo não faz parte dos currículos escolares nacionais e a TV não está cheia de programas que o defendam

Pelo contrário, se fossemos a julgar puramente pelos média, parlamento ou sistema de ensino, dir-se-ia que oq3 socialismo é uma força gasta.

E contudo, claramente que não o é. As ideias tradicionalmente associados com a esquerda são crescentemente populares. Numa sondagem da empresa de sondagens Mori em 2001, por exemplo, 72% das pessoas apoiaram a renacionalização do sistema ferroviário na Grã-Bretanha, apesar de nenhum dos partidos políticos principais o defenderem,

Anti-capitalismo

Um crescente número de jovens está a participar em manifestações anti-capitalistas.

Nos último ano significantes viragens à esquerda deram-se em vários sindicatos, com socialistas assumidos a serem eleitos como dirigentes nacionais. E mais pessoas entraram em acções de greve – como os trabalhadores das autarquias locais e os ferroviários.

Nada disto foi causado pela “propaganda socialista. Pelo contrário, a maioria das pessoas que apoiam a renacionalização, que participaram em manifestações anti-capitalistas, que fizeram greve, ou votou num líder de esquerda para os sindicatos não se classificariam como socialistas.

Mas uma seta que descrevesse a sua trajectória política apontaria claramente para a esquerda. Falando em termos gerais eles estão a caminhar numa direcção socialista. A razão disto é fundamentalmente simples: muitas pessoas não gostam do modo que o mundo está neste momento.

Pobreza

Não admira. Hoje na Grã-Bretanha quase 14 milhões de homens, mulheres e crianças vivem a baixo da linha de pobreza. Durante a última década a desigualdade subiu mais rapidamente na Grã-Bretanha que em qualquer outro país no mundo aparte da Nova Zelândia. Ainda assim, para alguns, a Grã-Bretanha está a prosperar verdadeiramente e temos o maior fosso entre ricos e pobre desde que começaram as estatísticas.

Internacionalmente, 815 milhões da população mundial vive faminta. Vivemos num planeta onde 55% dos 12 milhões de mortes de criança por ano são causadas por desnutrição. E está a piorar. De acordo com as Nações Unidas, os países mais pobres estão agora piores do que estavam há 30 anos atrás.

Com base nas tendências actuais, os números dos que vivem em pobreza absoluta – quer dizer, com menos que um dólar por dia – aumentará em dez milhões por ano durante os próximos 15 anos. A epidemia de SIDA já matou 25 milhões de pessoas e pensa-se que matará mais 68 milhões nas próximas décadas. Apenas no Botswana, 39% da população adulta tem SIDA/HIV.

O Mais rico país da terra

Enquanto isso, nos EUA, o país mais rico da terra, o 1% dos mais ricos viram os seus rendimentos aumentarem em 157% em termos reais desde 1979.

Por contraste, os 20% mais pobres estão a receber, de facto, menos $100 por ano em termos reais. 45 milhões de pessoas vivem a baixo da linha de pobreza e mais de 40% não têm nenhuma cobertura médica. Apesar de toda a tecnologia avançada e riqueza disponível nos EUA, mais de 32 milhões de pessoas têm uma probabilidade de vida de menos de 60 anos.

Não são principalmente os argumentos de socialistas que são estão a mudar a perspectiva das pessoas, é a sua experiência do sistema sob o qual vivemos – o Capitalismo. Há dez anos atrás o Capitalismo declarou vitória quando a União Soviética se desmoronou. O que existiu no União Soviética e a Europa Oriental não era socialismo genuíno mas uma sua caricatura grotesca. No entanto, o seu fracasso foi uma oportunidade dourada para capitalismo mundial.

O filósofo americano Francis Fukuyama pôs isto cruamente em 1989:

“O que nós estamos testemunhando não é só o fim da Guerra Fria [o conflito pós-1945 entre imperialismo dos EUA e a União Soviética] mas o fim de história como tal: quer dizer, o ponto final da evolução ideológica de homem e o universalismo de democracia liberal ocidental.

Dez anos depois desta declaração do” ponto final do desenvolvimento ideológico” do homem, e mesmo o Fukuyama mudou a sua música. É suposto que a guerra fria tenha acabado mas os gastos em armamento totalizaram em 2000 $804 mil milhões de dólares, uma média de $130 por pessoa. O ponto final supostamente maravilhoso da Humanidade é um mundo de guerra, pobreza, ditadura e, acima de tudo, desigualdade incrível.

Milhões Resistem

Milhões das pessoas estão resistir contra a realidade do nirvana de Fukuyama.

Elas são as massas bolivianas que se levantaram e impediram a privatização da sua água, os Argentinos que derrubaram quatro presidentes em duas semanas.

Eles são os dez milhões de trabalhadores indianos que entraram em greve contra as privatizações. Eles são os trabalhadores em Espanha que realizaram um dia de greve geral contra os ataques aos direitos dos desempregados e os trabalhadores na Itália que mobilizaram-se aos milhões contra o governo direitista de Silvio Berlusconi.

Ao mesmo tempo que os pobres e oprimidos de países inteiros estão a resistir contra os efeitos de capitalismo, uma minoria está a começar conscientemente a procurar um sistema alternativo.

Se se verificar a palavra “capitalismo” no Collins English Dictionary, ele sugere-nos que se compara com a alternativa -‘ socialismo.’

As ideias socialistas foram desenvolvidas durante séculos no curso da luta da Humanidade por uma vida melhor.

Hoje elas permanecem a única alternativa viável num mundo capitalista, crescentemente instável e brutal. É esta realidade que assegura que o Socialismo não é uma força gasta mas a onda do futuro.

(texto traduzido do livro “Socialismo no Século XXI” de Hannah Shell, Londres, Socialist Books, 2002)

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