Como combater o Racismo e a Extrema-Direita?

O seguinte relatório do debate tido na Comissão “Racismo e da extrema direita” foi elaborado por Paddy Meehan, de Belfast, da Irlanda do Norte. Recentemente Paddy e outros membros da Socialist Youth (Juventude Socialista) ajudaram a organizar os residentes locais contra fascistas e racistas no Sul Belfast atacaram famílias romenas, obrigando-as a fugir das suas casas. Esta acção isolou dos racistas e suspendeu os ataques. O papel de destaque que Paddy teve nesta campanha levou que recebesse ameaças de morte fascistas da Irlanda do Norte. Tal como os relatos feitos nesta Comissão, Paddy relatou o trabalho corajoso e inspirador dos camaradas do CIT em Belfast contra a ameaça da extrema-direita nessa cidade.

Na sequência desta campanha, foi lançada a Juventude Contra o Racismo na Irlanda do Norte para ajudar a combater a extrema-direita, que procura recrutar entre os jovens, especialmente aqueles que, nos bairros operários, sofrem de elevados níveis de desemprego. A Juventude Contra o Racismo é uma campanha ampla que não só mobiliza e confronta racistas nas comunidades locais, mas também realça a necessidade de abordar as condições sociais que dão origem ao racismo, como o desemprego, falta de habitação, etc.

Socialistworld.net

O papel do CIT na luta contra o fascismo

Paddy Meehan, Socialist Party (CIT na Irelanda)

A Comissão sobre o racismo e a extrema-direita, realizada a 16 de Julho, reflectiu o aumento do voto da extrema-direita em muitos países por toda a Europa. Demonstrou, também, claramente que, em muitos destes países, o CIT tem uma experiência comprovada em enfrentar com o racismo e a extrema-direita e eficazmente opor-se a grupos fascistas.

Hannah Sell (Socialist Party,  CIT na Inglaterra e Gales) fez a intervenção inicial descrevendo o aumento de votação em partidos da extrema-direita e fascistas por toda a Europa. O FPÖ (Partido de Liberdade, Áustria aumentou a sua votação para 17.3%; o Partido da Liberdade Holandês ganhou 17%, tornando-se o Segundo maior partido na Holanda, enquanto que a Liga do Norte, na Itália, duplicou a sua votação. O Partido Nacionalista Britânico (BNP) elegeu dois deputados europeus, com maus ganhos da extrema-direita na Hungria, Suécia e Roménia.

Christine, da Itália, relatou a situação complicada do desenvolvimento da Liga do Norte. Esse partido obteve 20% de votos no norte da Itália e conseguiu introduzir legislação a legalização de grupos de “vigilantes”, a obrigação dos funcionários públicos (incluindo pessoal de hospitalar) de informar sobre “refugiados indocumentados” e tornar crime qualquer auxílio a trabalhadores “ilegais” com penas de 3 anos de prisão.

Estes ganhos e a presente posição da extrema-direita são consequência do colapso do Estalinismo, da cpitulação da social-democracia  e dos antigos partidos dos trabalhadores ao capitalism e, crucial, a falta de uma real alternativa socialista  para muitos trabalhadores e jovens. A acompanhar este processo, muitos dos dirigentes sindicais desistiram da luta de classes, preferindo um tipo de compromisso social com o patronato. Dado o vácuo de liderança dos trabalhadores, a extrema-direita foi capaz de explorar os medos criados pela globalização; o da deslocalização para países com mão de obra mais barata e o uso de sobre-exploração de mão de obra barata [de imigrantes] para rebaixar os salários dentro dos países .

Os partidos da extrema-direta conquistaram uma base eleitoral semi-estável. Contudo, onde se desenvolveram nova formações de esquerda significativas, por exemplo o Die Linke na Alemanha, estes foram capazes de estancar o crescimento da extrema-direita.

Muitos dos grupos da extrema-direita foram formados por forces neo-fascistas mas, de uma maneira ou outra, afastaram-se do neo-fascismo declarado de forma a ganhar apoio eleitoral. Apesar disso, alguns ainda contêm núcleos duros de elementos fascistas. Esta situação não é fixa, por exemplo, os neo-fascistas estão a tornar-se mais centrais no austríaco FPÖ.

Os partidos da extrema-direita, apesar dos ganhos eleitorais, são incapazes de se ligar devido às contradições das suas visões nacionalistas. Apesar disso, tendências gerais podem observar-se no seu desenvolvimento e actividades. Aumentos nos resultados eleitorais e mesmo espectaculares subidas em alguns países não estão ligados ao aumento dos seus membros Mesmo cisões nos seus partidos, como as que ocurreram no BNP e nos partidos de extrema-direita austríacos, não são, de uma forma geral, reflectidos nas suas votações.

Tem havido um aumento de ataques racistas e também na violência desses ataques. Nos últimos 18 meses, o CIT na Suécia foi atacado 11 vezes, incluindo a tentativa de assassinato de um militante do CIT. Na Alemanha, alguns grupos fascistas começaram a replica as tácticas do “bloco negro” anarquista.

O racismo na sua propaganda tem aumentado durante a recessão económica, com um aspecto de retórica anti-sistema ou mesmo anti-capitalista. O Vlaams Belang, na Bélgica, apelou à nacionalização de uma fábrica automóvel e o NPD alemão apela à intervenção estatal para salvar estaleiros navais. Os principais partidos capitalistas, em alguns países, começaram a copiar as posições da extrema-direita para preservar os interesses do capitalismo.

A aplicação do “Não dar espaço”

Durante o debate, foi levantada a questão de evitar que a extrema-direta ganhe espaço quando eles já conseguiram ganhar representantes eleitos. Os Marxistas são, é claro, completamente opositores as ideias vis, racistas e anti-operárias dos neo-fascistas e da extrema-direita. Para parar a extrema-direita usamos as tácticas que melhor correspondam a cada situação concreta, e que contribuam para fazer elevar a consciência da classe trabalhadora. Nos anos 30, quando Trotsky advogava a táctica de “Não dar espaço” não fez dela um princípio absoluto e, em determinadas conjecturas os socialistas e comunistas debateram  com os fascistas.

O CIT já foi confrontado com esta questão de uma forma concreta, ao sermos convidados para debater pela comunicação social com políticos de extrema-direita do BNP, Vlaams Belang e os Democratas Suecos. Se a comunicação social insiste em convidar esses partidos da extrema-direita para os seus programas, seria errado nós recusarmos participar em toda a ocasião, mesmo que sob protesto. Não participar nesses debates não impediria a extrema-direita de espalhar ideias racistas; só significaria que nos poríamos de parte da possibilidade de rebater essas ideias.

A extrema-direita bloqueada pela esquerda

Igor, do SAV (Alternativa Socialista, o CIT na Alemanha) informou que nas eleições europeias, há 5 anos, apenas os fascistas NPD estabelecimento usaram retórica anti-sistema ou anti-capitalista, mas em 2009 o Die Linke (Partido da Esquerda) apresentou-se às eleições da UE e retirou todo o apoio da extrema-direita. E conseguiram-no apesar dos limites políticos do Die Linke.

Militantes da  Áustria, Suécia , Itália, Irlanda, República Checa, França, Israel, Rússia e Grã-Bretanha descreveram o enorme número de trabalho desenvolvido contgra ataques racistas em que o CIT está envolvido. A linha comum é que abordamos este trabalho não de uma maneira teórica mas explicando as questões e ligando a luta contra o racism à mobilização dos trabalhadores.

CIT: ‘Trabalho, Habitação, Serviços Públicos! Racismo NÃO! ’

Geert Cool da Bélgica, concluiu o debate referindo que apesar da crise económica poder ser a pior desde os anos 30, a perspective de estados fascistas emergirem novamente não está na ordem do dia, neste momento. No entanto, a crise dá à extrema-direita novas oportunidades de crescer. A crise económica pode e irá provocar gigantescas lutas da classe operária e demais trabalhadores que empurraram os fascistas para o lado e os isolarão.

O CIT continuará o combate às forces da extrema-direita e do racismo mas será a tomada pela classe operária, do controle da sociedade e a redistribuição da riqueza da sociedade de forma a dar resposta às necessidades de todos que iniciará a criação duma base real para erradicar permanentemente o racismo.

Nota do Socialismo Hoje

Em Portugal, a extrema-direita, o PRN, mantêm uma expressão eleitoral insignificante apesar de ter duplicado votos em muitos locais.

A influência da extrema-direita contudo, não se limita ao PRN. A sua penetração nas claques fotubulistcias é conhecida de todos.

A presença e propaganda da extreama-direita em escolas secundárias é preocupante em algumas áreas da Margem Sul de Lisboa e noutras áreas.

As politicas governamentais, nomeadamente a deriva securitária contra os “bairros problemáticos” alimentam um sentimento difuso mas palpável de um racismo crescente contra os imigrantes e as minorias étnicas.

O Socialismo Hoje está de acordo com as propostas do CIT, que no caso português passa, , entre outras medidas, por:

  • campanha pública de denúncia da violência neo-fascista e racista
  • documentos de todos os imigrantes;
  • direitos laborais, sociais e políticos iguais para os imigrantes;
  • fim das provocações policiais aos bairros pobres e jovens de minorias étcnicas

Esta é uma tarefa que os partidos e organizações dos trabalhadores, nomeadamente os Sindicatos em articulação e cooperação com as organizações de imigrantes devem tomar em mãos, cortando assim a possibilidade do crescimento da extrema-direita e do racismo em Portugal.

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